Diversidade sonora impera no segundo dia de Palco RUC

Diversidade sonora impera no segundo dia de Palco RUC

Relvado mostrou-se equilibrado numa noite de muita pluralidade. Público aumentou ao longo do serão e culminou com as boas vibrações de OSHUN. Texto por Maria Fernades. Fotografias por Maria Fernandes, Hugo Guímaro e Pedro Dinis Silva

A variedade de sonoridades que ontem se fez sentir fortaleceu-se no segundo dia de Palco RUC. Do eletro-pop ao hip-hop, os artistas e os DJ’s ru(ianos deram palco a uma complexa multiplicidade auditiva.

Depois do ‘set’ Santos da Casa, Iguana Garcia sobe a palco perante uma plateia reduzida mas heterogénea. Joana Cordeiro, ex-estudante de Estudos Artísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), demarca a “pouca adesão do público” e de forma simultânea a qualidade do artista.“É importante apoiar as bandas não massificadas,com conteúdo original”, afirma.

Num concerto que evoluiu para uma preenchida pista de dança dos anos 80, os ‘loops’ psicadélicos do lisboeta fizeram-se sentir também na cinematografia conceptual a si associada. Sentia-se a pessoalidade e intimidade do ex-membro dos The Kafka em cada vocalização, de música que vai do quarto para o palco. A experiência é reconfortante mas eletrizante.

Bernardo Guerra, estudante de Antropologia da Faculdade de Ciências e Tecnologias da UC, apesar de desconhecer o projeto de João Garcia, considerou-o “muito bom”, por haver uma “grande experimentação de sons”. Bruna Coelho, também de Antropologia, alega que o concerto foi ‘funky’ e acima das expectativas. Com um álbum editado, “Cabaret Aleatório”, Iguana Garcia mostra-se emergente, mas promissor.

Madrugada dentro, começa então Ermo. António Costa e Bernardo Barbosa vieram de Braga para abanar a cidade dos estudantes e trouxeram consigo um ambiente mais noturno que a própria noite. Sob um fundo negro, a eletrónica singular dos Ermo moldou um ambiente esquizofrénico e soturno que culmina em vozes dramatizadas.

Rafael Trindade, estudante de Estudos Artísticos da FLUC diz este ser “um dos projetos mais frescos da cena musical portuguesa” e denota a sua sonoridade versátil e expressiva que forma um “cruzamento entre a poesia expressiva do António e a inovação sonora”. Em relação a um concerto anterior do duo no Porto ao qual assistiu, alega a experiência ter sido idêntica, apesar de ser “interessante a forma como mudaram ao longo dos anos”. “A nível de performance, a mestria e o rigor continuam presentes”, reitera.

A finalizar a noite, estiveram as norte-americanas OSHUN.Num início incerto, mas reverberante, Kyleel Rolle abriu o palco para Thandi Young e Niambi Scott Murray. Com uma plateia composta e animada, as OSHUN respiraram amor.  Vibrações relaxadas dominaram o relvado, numa relação de genuína compaixão partilhada.

A adoração da Terra e da Mãe Natureza foi uma constante. A alusão direta ao nome do duo, comprova as raízes da banda. Oshun é uma deusa Yoruba que” comanda a água fresca do rio”, reflete Thandi. É uma representação da fertilidade, do amor, da beleza e da bondade. Caraterizam o seu som como ‘Iya-Sol’. ‘Iya’ refere-se à divindade e ‘Sol’ ao género musical soul. Todavia, é impossível não incluir na performance das OSHUN o hip hop, o rap e o R&B. Para o mundo, deixam uma mensagem de paz, de compreensão e amor mútuo, onde a fauna e a flora coexistem e persistem.

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