Batida a batida, o Palco RUC disse adeus à QF’18

Batida a batida, o Palco RUC disse adeus à QF’18

Despedida carregada de música eletrónica alternativa. Balanço “positivo mas com os problemas do costume” salientados pela organização. Texto por Miguel Mesquita Montes e fotografias por Miguel Mesquita Montes, Micaela Santos e Pedro Dinis Silva

A noite pertencia às Letras, mas foram as batidas que se elevaram no palco alternativo. Alan Vegan protagonizou o arranque da quarta e última noite do Palco RUC na Queima das Fitas 2018 (QF’18). O público chegava de forma gradual à medida que a lua subia no céu. Enquanto a artista aquecia o palco para as três atuações que estavam para vir, as opiniões da audiência divergiam.

António Costa, aluno de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), informa que gosta “do tipo de música de Alan Vegan”. Indica ainda que o Palco RUC é o seu favorito, embora demonstre interesse no concerto de Mundo Segundo e Sam the Kid no palco principal.

Por outro lado, Pedro Carreira, estudante no mesmo curso, não destaca o género musical e apela para “uma melhor gestão horária”. Aponta que “Alan Vegan não devia passar tão cedo”. O aluno justifica-se ao explicar que “a música da artista cativa demasiado as pessoas e, por isso, devia acabar a noite”. Argumenta, por fim, que preferia “algo que apelasse mais à diversão e não tanto à emoção, para as pessoas entrarem no espírito e só depois se deixarem envolver mais”.

No entanto, face à falta de público até então, Solution saltou para a mesa de mistura e fez jus ao seu nome: a partir desta segunda atuação, a afluência ao palco subiu de forma exponencial e o ambiente compôs-se. O artista tocou na vez de Cindy Looper,que não pôde atuar devido a problemas de saúde. “Como o estilo de Solution é semelhante e já existe afinidade com a rádio, alterou-se a atuação”, justifica João António Sousa, organizador do Palco RUC.

O artista desencadeou, assim, a presença mais notável de um público que se notou fiel à estação de rádio. Entre ele, Tiago Marques, aluno de Engenharia Mecânica na FCTUC, definiu o DJ como “fixe”. Referiu que “Solution não deixa a música morrer, está sempre em progressão”.

Maria João Ribeiro, aluna de História da Arte na Faculdade de Letras da UC, aponta que “toda a gente se fica pelo funk e acaba por perder isto, que é um alívio para a mente”. Ao caracterizar a sensação de “lavagem cerebral” à música ouvida no Palco RUC, desabafou que “muita gente acha que esta música é ruído, mas na verdade é boa”. Concluiu que ali reside “uma alternativa para quem não gosta de música tão comercial”.

A noite parecia correr, e com ela soltava-se um espírito mais mexido. Foi a vez de Powell recarregar as energias de quem não queria arredar pé do som eletrónico. O concerto foi trocado com o seguinte da agenda devido a “questões logísticas”, explica João António Sousa. Sérgio Carvalho, do curso de Gestão de Empresas no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra, adjetivou a prestação do DJ como “altamente”. Referiu, ainda, que foi ao Palco RUC “para descontrair, porque toda a gente gera esse ambiente”.

Luís Silva, estudante de Fisioterapia na Escola Superior de Tecnologia e Saúde de Coimbra, salienta o seu gosto pela música eletrónica. “Os outros palcos passam sempre a mesma música, e aqui varia-se do comercial”, argumenta. Mas o estudante deixa uma ressalva: “se fôssemos todos iguais, o mundo virava ao contrário”.

A fechar a pista surgiu Zanias, com uma prestação “incrível” e um público cada vez mais recheado de novas faces. Quem o diz é Diogo Fernando, estudante de Psicologia no Instituto Superior Miguel Torga, que elogia o género techno tocado pela DJ. “Está a ser o melhor dia”, observa. Conclui que já conhecia a artista, mas que “ao vivo é melhor”.

João António Sousa sublinha um balanço “positivo” dada a “boa resposta do público aos artistas”. Aponta, todavia, a dificuldade “de todos os anos”: encher o palco mais cedo. “Só começamos a ter mais público pelas 4 horas da manhã, embora tenhamos apostado em mais artistas, este ano”. O organizador conclui que também a redisposição do palco no recinto, para junto da entrada, visou “chamar mais gente”.

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