Hip hop nacional iluminou a noite azul escura

Hip hop nacional iluminou a noite azul escura

Palco dividiu-se entre estreantes e repetentes. Espetáculos misturaram hip hop, ‘drum and bass’ e ‘break dance’. Texto por Maria Francisca Romão. Fotografias por Luís Almeida, Maria Francisca Romão e Pedro Dinis Silva

Em noite de Letras, os versos do hip hop português conquistaram o público do Queimódromo de Coimbra. Foram mais os artistas a pisar o palco do que aqueles que tinham sido anunciados pelo cartaz. Kappa Jota, Mundo Segundo e Sam the Kid e DJ Oder pintaram o palco principal de azul escuro.

Kappa Jota: O artista que faz o que quer

Kappa Jota “fez o que quis” no palco principal da Queima das Fitas, confessou o próprio, “tal como o faz quanto às músicas e aos álbuns que lança”. Estreante na festa estudantil, abriu a noite com um enérgico “boa noite, Coimbra”, mas foi com um caloroso “obrigado, família” que se despediu. Num dos seus ‘singles’ canta que já tem “a voz rouca de te dizer para falar baixo”, mas silêncio foi tudo o que não pediu ao público que o ouvia. De punho erguido e microfone em riste, interagiu de forma constante com os estudantes.

Um dinamismo que não passou despercebido a quem assistia ao concerto. Para Diogo Leitão, “é Kappa e basta” e talvez por isso admita que “esperava ver mais pessoas no recinto”. O próprio artista reconhece que eram “poucos”, mas que sentia “o calor humano”. “Conhecia o rapper, mas vim pelo cartaz inteiro e não por um artista em particular”, revela Sofia Umbelino, um dos elementos da plateia. Kappa Jota fez-se acompanhar pelo DJ Mascarilha e Bad Tchiken.

Mundo Segundo e Sam the Kid: “Não é preciso entender para gostar”

O concerto com mais nomes do hip hop nacional foi em Coimbra, na quarta noite de parque, garantiram Mundo Segundo e Sam the Kid. Os veteranos do hip hop português foram os segundos a entrar em palco. A atuação surpreendeu pela lista de convidados que contou com nomes como NBC, Maze e Waze e por um inesperado momento de ‘break dance’.

“Isto do hip hop tem muito que se lhe diga”, admitem os dois artistas. Não negam que a popularidade do rap possa não se refletir num conhecimento efetivo sobre a cultura hip hop, mas consideram que “não é preciso entender para gostar”. Foi a sua música “espontânea” e “descomprometida” que conquistou Daniel Santos, estudante de Programação na Escola Secundária D. Duarte. “São brutais”, defende, “mas fazem falta mais nomes deste estilo musical no cartaz da Queima das Fitas”.

DJ Oder: “Um grande ‘boom’ de artistas nacionais que trazem novos sons”

Depois da atuação de algumas das maiores estrelas do hip hop nacional, DJ Oder entrou em palco com uma responsabilidade acrescida, até porque o seu estilo é ‘drum and bass’. O artista trouxe “música urbana, rápida e cheia de movimento” na mesa de mistura e o seu grito “façam barulho” ecoou durante todo o espetáculo.

A resposta do público não tardou, mesmo daqueles que não se identificam com o estilo musical que dominou o cartaz desta segunda-feira. É o caso de Pedro Duarte, estudante de Engenharia e Gestão Industrial na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, que reconhece que “o bom ambiente e o convívio o atraem mais do que o hip hop em si” – registo musical que admite não apreciar.

Apesar de estar presente na cena artística nacional há vários anos, DJ Oder mostra-se satisfeito por assistir ao surgimento e crescimento de “um grande ‘boom’ de artistas nacionais que trazem novos sons”.

Nas palavras de Kappa Jota, “amanhã vai dar certo, então vem à procura de mais e mais e mais”. É com este espírito que as noites no parque se estendem até sexta-feira, dia 11 de maio.

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