Da mudança à sátira: os grupos académicos na noite cor de laranja

Da mudança à sátira: os grupos académicos na noite cor de laranja

Desconcertuna consegue pela primeira vez trazer finalistas a palco. O humor e crítica unem-se numa atuação energética da Orxestra Pitagórica. Por Ana Santos.

O palco principal da penúltima noite de Queima das Fitas de 2018 (QF’18) foi invadido por um ‘flashback’ quando a dificuldade em trazer finalistas da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) ao palco se repetiu. A Desconcertuna – Tuna Mista da FPCEUC – recusou-se a mexer até os cartolados subirem.

O apoio da Phartuna durante o concerto foi notável. Um dos membros da Tuna de Farmácia de Coimbra, Maria Sacramento, nota esta atuação como revolucionária, uma vez que “foi a primeira vez que conseguiram subir a palco os cartolados, o que para eles é uma marca importante”. A aluna de Ciências Farmacêuticas realça que, apesar do conflito final, a atuação “foi incrível” e a Desconcertuna possui um “espírito muito próprio”.

A estreia de “O impedido” foi bem-recebida pelo público, que ajudou a Tuna da FPCEUC a marcar a sua participação na QF’18 com interatividade. A atuação encheu-se de ““E salta tuna e salta tuna” após a “Balada da Trizana”.

A persistência da Desconcertuna foi elogiada por vários membros da plateia. Francisco Freire, estudante da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, confessa que gostou de “baterem o pé” e destaca que todas as tunas deviam fazer o mesmo.

O incidente acabou favorável para a Desconcertuna que acabou por ter alguns finalistas a seu lado ao acabar a sua atuação. No entanto, não deixou de refletir que a Queima das Fitas “mais do que um festival, é um festival académico” e espera não ter de voltar a perder dez minutos de atuação “com este chinfrim todo”.

A Orxestra Pitagórica veio encher o recito da QF’18 com temas recheados de sátira. O humor associou-se à crítica em músicas que desafiam a organização num espetáculo que contou com uma audiência animada.

O público elogia a energia do espetáculo do grupo da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra. Segundo Guilherme Costa, estudante de Engenharia Física, este grupo “é sempre espetacular na maneira como satirizam e ironizam certos temas”. O membro da secção de Fado destaca ainda que esta atuação revela a verdadeira Queima das Fitas, feita “de estudantes para estudantes”.

A atuação é vista por Flávio Barreira, aluno de Mestrado em Ecologia, como “talvez a melhor da queima até agora”. O estudante garante que a Orxestra Pitagórica “vale uma queima inteira”. Pedro Nolasco, estudante da FCTUC, defende que a energia entre o grupo e o público foi mútua e o concerto foi “interventivo contra a organização e de força à academia”.

Temas como a vida estudantil, o dux veteranorum, a Briosa e o Sarau estiveram em destaque durante um espetáculo que mostra grande interação com a audiência. Alguns membros da Orxestra Pitagórica desceram do palco para estarem mais perto de um público que cantava todas as músicas com emoção.

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