Palco Principal: De Lisboa à Jamaica o público deu passos largos entre o rap e o reggae

Palco Principal: De Lisboa à Jamaica o público deu passos largos entre o rap e o reggae

Na reta final de mais uma edição da Queima das Fitas, subiu hoje ao palco Wet Bed Gang e Richie Campbell. Heranças de Jamaica e Bronx soaram nos alti-falantes. Texto e fotografias por Vittorio Alves e Jéssica Gonçalves

Os Wet Bed Gang confiam a acordes de guitarra que façam introdução apropriada. Gritos rasantes dos membros atiçam a multidão enérgica. O público ainda não é um grande  contingente, mas aqueles que se esmagam sobre a grade mostram para o que vieram.

Impossível apegar-se ao momento em que os quatro componentes surgem palco abaixo. Basta um desviar de olhos para perder a entrada emblemática. Pequenos vôos narrados em versos são intercalados por labaredas.

Há qualquer coisa de frenesim nos corpos que ali no palco pulam. As primeiras três músicas servem para erguer os ânimos. “O começo trouxe muita energia”, revela o mecânico Miguel Freitas, espectador assíduo dos concertos de Richie Campbell e que esperava muito poder assistir aos Wet Bed Gang. Os rapazes de Vialonga, Lisboa, logo atraem para a sua frequência as vozes amontoadas ao pé do palco. “O concerto não é só nosso, é de todos”, anunciou Gson, elemento do grupo.

A dada altura o ritmo desacelera-se, um saudosismo invade o palco e presta-se honras a João Rossi, líder fundador da banda falecido. A morte do membro trouxe a necessidade de garantir o sucesso da banda em sua memória. ‘Filhos de Rossi’ é o título de estreia dos rappers.

Um olho no presente e outro no futuro

A ex-estudante de agropecuária da Escola Superior Agrária de Coimbra, Solange Duarte, declara que a vinda do grupo foi “uma boa aposta por diversificarem” na programação. Entre Miguel Freitas e Renata Alexandra a eleição de melhor trabalho é unânime: o álbum ‘Aleluia’ destoa. O que se ouve, segundo Gson e Kroa, recebeu influências de MV Bill, Gabriel Pensador, Racionais e Criolo.

O futuro dos molhadores de cama não é mero sonho. Há um álbum em perspectiva. “Tão a sair cenas chateadas”, deixa em suspenso Kroa. Além disso, estão a tirar um curso de realizadores de cinema, o que muitas vezes não é levado a sério, como conta o artista. A especificação vai elevar o nível de trabalho da banda, como refere Gson. Projeções para o campo multimédia parecem permear os planos dos Wet Bed Gang.

“Aumentem o som”, comunica de forma telepática Renata Alexandra, apoiadora à infância, nos bastidores do Palco Fórum. O som já ensurdecedor não é o suficiente quando a música é boa.

O português mais jamaicano da música nacional

Ainda muita gente pensa que é estrangeiro, mas ele é bem português. Ricardo Ventura da Costa, mais conhecido como Richie Campbell, é um dos maiores nomes da música reggae a nível nacional, e pisou hoje o palco principal do Parque da Canção.

O cantor de 31 anos traz à Queima das Fitas alguns dos seus novos êxitos, sem nunca esquecer os seus primeiros sucessos que o levaram ao cimo da escada do estrelato. “Este ano há um público maior, talvez devido ao aumento da sua popularidade” afirma Beatriz Carvalho, estudante de mestrado em Ciências da Educação na Faculdade Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC).

“As espectativas eram altas e foram atingidas” disse Diogo Campos, estudante de Engenharia Informática no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC). O público fez-se ouvir ao acompanhar Richie Campbell ao longo do concerto. Na opinião de Ana Barata, estudante de Serviço Social na FPCEUC foi transmitida “uma boa vibe” através das músicas apresentadas no palco da Queima das Fitas. Helena Cunha, estudante de Engenharia Biomédica no ISEC, caracterizou o concerto como “emocionante”, confessou ser fã do artista e gostar muito do trabalho que este realiza.

O cantautor afirma que voltar a Coimbra “é ótimo, é uma boa preparação para a tour que se aproxima, dá para ter uma noção do que está mal e mudar no próximo concerto”. Acrescenta ainda que o público é difícil devido a vários fatores, como por exemplo, o horário a que sobem ao palco, pois o público está cansado e torna-se árduo de se cativar.

Richie Campbell considera que durante o concerto houve um equilíbrio entre o álbum antigo e o mais recente, “cantou-se aquilo que as pessoas querem ouvir”. Na opinião do mesmo o concerto foi bom e o público divertiu-se.

“Começar em Lisboa é o sítio mais fácil de iniciar carreira em Portugal” e foi na capital que o caminho para o sucesso do cantor se iniciou. O cantor sente-se realizado, mas quer ainda dar muito mais ao mundo da música e isso inclui cantar em português. “É algo que vai ficar guardado para quando for mais velho” disse o artista que não quer desiludir quando cantar em língua portuguesa.

A mensagem transmitida através da sua música é uma mostragem das coisas pelas quais Richie Campbell passou, que acabem por se relacionar com o público a quem chega. O cantor não se considera “dono” de um só estilo musical. Conclui que gosta “de tudo, de experimentar e evoluir à medida que as coisas acontecem”.

O concerto foi encerrado em chave de ouro com o tema “Do You Know Wrong” que levou o público presente no Parque da Canção ao rubro.

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