O adeus friorento ao palco secundário com pluralidade de estilos

O adeus friorento ao palco secundário com pluralidade de estilos

GO’EL, Remember Amy, Rosa Luxemburgo e Fantast1c são os últimos artistas a atuar. Público com crescimento gradual animou até ao final das quatro atuações. Texto e Fotografias por Pedro Emauz Silva.

Uma viagem instrumental, um tributo, uma marxista e um robô sobem ao palco. Parece anedota, mas é apenas mais uma maratona de artistas que passaram no palco secundário na noite dedicada à Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (UC), logo à entrada do Queimódromo. Assim se fez a última noite de parque da Queima das Fitas 2018 (QF’18), pondo término às festividades na cidade de estudantes.

GO’EL: Uma viagem instrumental

Com uma chuva tímida a cair na relva, estava entregue aos GO’EL a desafiante tarefa de dar início à série de concertos que este palco iria receber. E os desafios de facto foram evidentes quando o concerto se fez perante uma diminuta audiência, cujas lentas palmas pareciam ter medo de fazer ruído.

Apesar de tudo, o duo não se constrangeu. Com a bateria de Diogo Leite, a guitarra de Dani Valente e todos os outros instrumentos utilizados, apresentaram aos poucos presentes uma viagem musical ilustrada por uma série de imagens em grande plano, que passava no fundo.

A voz não surgiu durante toda a atuação da dupla que se exprimiu apenas através do instrumental. Surgiu sim em ocasionais desabafos irónicos nos intervalos entre as músicas. “Ainda estão vivos? A Daniela (Mercury) já começou?”, questionou de forma sarcástica o baterista Diogo Leite perante os ténues aplausos. “Não tiveram o público-alvo que gostariam de ter”, lamenta Sónia Martins após assistir ao que considera “um bom espetáculo”. Já Pedro Marcelino, estudante de Design e Multimédia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), conta que a curiosidade o levou do palco principal para este, e que se deixou ficar. “Foi muito bom em termos visuais”, elogia o estudante.

Um tributo à Amy

Os seguintes pés a pisar o palco secundário foram os de Remember Amy – Tributo à Amy Winehouse. A timidez manteve-se na audiência, agora mais preenchida, mas com o tempo converteu-se numa grande animação. A vocalista, Gabriela Couto, e o saxofonista, Pedro Matos, puxaram por um público que lá cedeu em se incluir no ambiente animado da banda. O grupo, constituído também por Fábio Pereira na guitarra elétrica, Zé Stark na bateria e Jóni Axel ao comando do baixo elétrico, reproduziram à sua maneira grandes êxitos da cantora americana, como “Valerie”, “Back to Black” e “You’ll Never Know How Much I Love You”. No entanto, não se deixaram ficar pelos ‘hits’ de Amy e encontram o mesmo encanto em faixas menos conhecidas, como “Take the Box”.

Ao chegar ao fim do concerto, fez-se ouvir o sempre positivo “só mais uma”, reflexo do divertimento mútuo que se enriqueceu durante a atuação. Ana Gaspar, estudante da FCTUC, acredita que assistiu a uma “muito boa representação daquilo que era Amy Winehouse e daquilo que era o seu carácter”. Destaca o valor do grupo ao introduzir “o seu próprio estilo e identidade, que se fez notar especialmente nos solos”. Sublinha que “não se pode esperar que sejam exatamente iguais aos artistas que homenageiam”.

Uma Rosa Luxemburgo dos tempos modernos

As colunas do palco secundário vibraram uma terceira vez, agora por culpa dos Rosa Luxemburgo. O vocalista, António Simão, os guitarristas, Fábio Domingues e José Duarte, o baixista, Miguel Cabrita, e o baterista, Rúben Rodrigues, formam o grupo cujo estilo é de difícil definição. “Uma espécie de indie-rock”, sugere André Duarte, que estuda na FCTUC. Este avalia com “um sólido sete” a prestação da banda, que exibiu canções como “Labirinto Emocional” e “Al Capone”. Frenéticos na música e descontraídos na convivência com o público, houve ainda tempo de António Simão recitar um poema de Raúl Brandão, momento tal marcado pelos aplausos de agrado vindos da audiência que, na opinião de Tiago Azevedo, estudante do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra, não caracterizou o resto do espetáculo no geral. “A prestação foi boa, mas o ambiente esteve muito fraco”, afirma.

Um DJ Robô: o investimento numa imagem

Na última atuação sob o palco coberto de negro, surgiu algo que surpreendeu a grande maioria dos espectadores presentes na relva. Enquanto se esperava um artista de música eletrónica, eis que surgiu um robô. Ou, pelo menos, um artista vestido coom tal. Assim se apresentou DJ Fantast1c na última atuação apresentada no palco secundário da QF’18.

A peculiaridade da situação é discutível, mas há uma certeza. Ou num saltar constante, ou num ligeiro abanar de cabeça, ninguém ficou imóvel durante toda a atuação de Fantast1c. Fizeram-se ouvir faixas comerciais, de EDM, com ‘remixs’ produzidos pelo próprio artista.

Criado há três anos, Fantast1c procura eternizar a sua imagem. Assim justifica o mesmo a prevalência e a necessidade de esconder a sua identidade. “É pegar um pouco na ideia dos Daft Punk, sem copiá-la, e ganhar fama com o grande auxílio do anonimato, criando uma imagem de marca”. A atuação contou ainda com o suplemento musical do saxofone de Rui Gonçalves, que adicionou um toque incomum às batidas das remisturas de Fantast1c. “Apenas estar presente um DJ numa atuação pode tornar-se monótono”, comenta o músico, que explica que se pretendia “sair disso e criar um espetáculo com mais interação com o público”.

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